CapÃtulo dois. Vida nova, nova mesmo.
15 de dezembro de 2007
De volta à minha casa, uma pergunta de minha mãe me fez pensar: onde e como você vai ficar lá? Pois é, não havia pensado nisso. O salário de auxiliar de serviços auxiliares não me garantiria grande coisa. Liguei para um amigo que havia se interessado por minha guerreira CG125 amarela. Ele não tinha o dinheiro todo. Propus doze suaves prestações. Ele topou. Pronto, mais um caraminguá para complementar a mixaria que era meu ordenado.
Agora faltava o “onde”. Meu pai se lembrou de um de seus fregueses (ele é carpinteiro, lembra-se?) que estava em São Paulo a trabalho. Ligou para ele. Ok, a primeira noite eu poderia ficar no apartamento que ele dividia com mais três (mais um rapaz que estava lá de favor) na primeira noite. Depois seria por minha conta.
Pois bem, contato feito, arrumei várias mochilas, contei para os amigos e fiquei contando as horas para rumar à vida nova.
No domingo, 15 de junho de 1987, à noite, lá estava eu na rodoviária Novo Rio, com meus pais, irmãos e um punhado de amigos. O amigo de meu pai iria de ônibus leito e me encontraria na rodoviária do Tietê.
Minha mãe não agüentou o tranco e se afastou para chorar. Meus amigos tocavam violão e cantavam me desejando boa sorte. Era tanto abraço que levei bronca do motorista, que queria seguir viagem e o galã de fotonovela não parava de se despedir.
Pela janela do ônibus olhava os rostos que me fitavam com um misto de tristeza e alegria. Minha cabeça zunia e o coração apertado socava no peito. Não tinha mais volta. Será que vai dar certo?
A viagem foi longa, não preguei os olhos. Cheguei a Sampa e fui recepcionado por um frio de cinco graus. Excelente começo! Encontrei o bem-feitor que me deixaria ficar por um dia em seu apartamento, entramos no superlotado Metropolitano e rumamos à Praça 14 bis, perto da Escola de Samba Vai-Vai e do Bexiga. Samba e Tarantela. Isso parecia interessante!

