Blog do Velho Lobo

Relatos de um velho lobo a respeito de tudo e a respeito do nada.

A saga de um retirante

10 de novembro de 2007

Muita gente me pergunta como vim do Rio de Janeiro para São Paulo, e eu sempre respondo que foi uma saga, e que um dia escreverei para não esquecer de nenhum detalhe, já que a idade está avançando e os nefastos sintomas desse avanço já se apresentam.

Pois bem, chegou a hora.

Capítulo 1: O ingresso ao Banco Itaú

Era o ano da graça de 1987, eu trabalhava numa concessionária Honda, em Vicente de Carvalho. Entrei como lavador de motos, passei pela mecânica e cheguei a recepcionista em cinco anos de bons serviços prestados. Namorava uma menina e estava naquela fase de “então, que tal a gente se conhecer melhor?”. Só que estava difícil pra caramba, ela estava irredutível. Queria me apresentar à família, “namorar sério”, como se falava à época, enquanto eu queria mesmo é conhecê-la melhor, se é que você me entende.

Então, em um sábado de garoa fina, recebi um telefonema dela chamando a mim e a meu amigo, que namorava a irmã dela, à sua casa, já que os pais iriam jogar cartas em casa de amigos. “Putz! É hoje!!!”, comemorei.

Montamos em minha possante CG125 82 amarela, e lá fomos tomando aquela garoa até a casa delas. O sacrifício valeria a pena.

Chegando ao portão, percebi a fumaça de churrasco e o vozerio pertinente a uma festa. Sim, fomos ludibriados, espertamente engabelados. As meninas armaram pra gente.

De repente, dois senhores grandes, parecidos com lutadores de luta livre, apontam para mim perguntando: “’É ele!?!?, é ele?!?!”, e com a resposta afirmativa, imobilizaram-me sem muito esforço e me jogaram de roupa, documentos e tudo na piscina montada no quintal com um interminável caldo. Para aplacar o frio que me dominava, me tocaram goela abaixo dois copos de conhaque. Fui definitivamente apresentado à família dela.

Um dos grandões era o pai da moçoila, policial federal, e o outro, departamental do banco Itaú, que ao final do dia, depois de litros de cerveja, me ofereceria um emprego de transladador de documentos bancários envoltos em invólucros de lona, também conhecido como maloteiro.

Um mês depois, em fevereiro, me convalescendo de uma dengue, passava a integrar os quadros de tão importante instituição financeira.

Capítulo 2: Cidade de São Paulo, essa desconhecida.

Em maio de 1987, houve um concurso de âmbito nacional para seleção de pessoas a fim de serem treinadas para labutar na já emergente área de processamento de dados, no Centro Técnico Operacional do Banco Itaú, em São Paulo.

Várias pessoas me desencorajaram a tentar, porquê para elas estava na cara que era um concurso destinado a pessoas já selecionadas, as “peixadas”, e a prova era só para dar um tom de correção ao processo.

Eu disse que mesmo assim, tentaria, pois teria a consciência limpa em ter feito minha parte, tentado, ao menos.

Em meados de junho, estava eu em licença saúde, pois fui arremessado ao asfalto por minha até então fiel CG125 amarela, quebrando a mão esquerda e ralando o lado esquerdo da cara, ficando parecido com personagem de filme B de terror (tudo bem que eu havia ingerido quantidade razoável de cerveja, mas isso é detalhe), quando um telefonema da secretária do grande chefe da área onde trabalhava, convocando-me a comparecer com urgência quase me levou ao pânico: “Teria sido meu nome envolvido em alguma maracutaia? Será que estavam reduzindo o quadro de funcionários? O quê terá acontecido, meu Deus!?!? O quê!?!?!” Quando minha mãe, me estapeando a cara a fim de me acalmar, disse: “Será que tem a ver com a prova que você fez?”. Sim, poderia ser isso.

Fui recebido pela secretária às onze horas da manhã, a qual educadamente me pediu para esperar um momento que já seria atendido. Acondicionei-me no sofá e tentei conter a tremedeira.

Por volta das quatro da tarde, alucinado de fome, já que não saí daquele sofá para nada, fui posto à frente do chefe. Ele me disse que eu havia sido um dos quarenta selecionados na prova (em mais de três mil), e perguntou-me se eu teria condições de me mudar para São Paulo (não conhecia nada dessa cidade, tendo ido apenas uma vez, para fazer a prova), já que era um concurso voluntário e, se eu não quisesse ou não pudesse, ele chamaria o próximo da lista. Respondi prontamente que conhecia tudo e até tinha parentes por lá, queria e podia sim!

Quando eu já me sentia da esquina da Ipiranga com a São João, um momento de tensão. Olhando para minha mão quebrada, o chefe ficou na dúvida se eu poderia freqüentar o curso, já que não havia condições plenas de digitação. Um interminável telefonema de alguns minutos, e a resposta de um anjo, dizendo que haveria muita teoria em um primeiro momento, não havendo, portanto, problemas para o rapaz da mão quebrada.

Era final de tarde de uma sexta-feira, e eu deveria estar em São Paulo na manhã de segunda.

Continua…

Você tem que ser feliz! Mas como!?!?!?!

2 de novembro de 2007

“Você tem que ser feliz!”, “Todos têm o direito à felicidade!”, “Vou te fazer muito feliz!”, e assim por diante. Quantas vezes você já ouviu ou até mesmo disse uma dessas frases? O interessante é que se analisarmos friamente a questão, quando ouvimos, parece promessa vazia, e quando dizemos, torcemos para que possamos realmente pôr em prática a determinação.

O interessante é que a gente promete algo que até queremos, porém não temos a menor idéia de como realizaremos. No que depende de nós apenas, já não é fácil, imaginemos então como fica quando constatamos que depende de muitas outras coisas.
E o que seria exatamente ser feliz? Isso é extremamente subjetivo! Varia de ser para ser. Como dizer a alguém que vai proporcionar essa tal felicidade se não se sabe o que essa pessoa precisa para se sentir assim? Tudo bem se pode até ter ciência de uma ou outra coisa, porém a sensação é fruto de um conjunto de fatores, os quais só à pessoa competem.

E como então se comprometer com isso, pelamordeDeus!?!?

É como se baixassem uma medida provisória: Está bem, daqui por diante, todo mundo é feliz! E revogam-se todas as disposições em contrário!

Moraes Moreira e Fausto Nilo já disseram que “Felicidade é uma cidade pequenina, é uma casinha, é uma colina, qualquer lugar que se ilumina quando a gente quer amar…”. Pois bem, depende muito do referencial, depende muito do que se tem como objetivos na vida. E depende primordialmente das ações tomadas para realizar tais objetivos.
E mesmo fazendo tudo certinho, ainda temos que torcer para fatores externos, alheios à nossa vontade.

Você sabe realmente o que te faz sentir-se feliz? E para proporcionar essa sensação aos outros, você sabe como?

A vida é linda, mas quem disse que tem que ser fácil?

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