Deu branco
15 de outubro de 2007
Deu-me branco. Pois é, branco total radiante, como o reclame de sabão em pó. De repente uma ausência total de assunto, um vácuo de imaginação, um bloqueio crônico. Por quê será? Pergunto para a imagem no espelho que me fita atônita. As lembranças escoaram? O presente é pura rotina? O futuro a Deus pertence? O que há?
Não há como culpar a pressão no trabalho e nem os problemas pessoais, esses sempre existiram, em menor ou maior intensidade, porém sempre estiveram a executar seu papel de me manter às raias da insanidade (o que acho bom, já que quanto mais difícil a batalha, mais saborosa é a vitória).
Não perdi o gosto por escrever, uma vez que comecei tarde, há de se recuperar o tempo perdido. Não será por falta de apoio, já que tenho recebido boas críticas, e os que não acham bons meus textos, pelo menos se calam, dando a impressão de que tem muita gente gostando (de ilusão também se vive).
E a preguiça? Hum, esse danado de pecado capital vem me rodeando nos últimos tempos. A academia me espera uma semana a cada semana de freqüência, há um quadro a ser pendurado há uns dois meses, a corrida no parque, que tanto prazer me dá, já não é tão freqüente.
De repente o sofá exerce uma força maior do que minha resistência. O aconchego de sua macia espuma em conjunto com as quatro almofadas (algumas manchadas de chocolate, sorvete, ou cousa que o valha), é um convite ao ócio. Sim, dá pra escrever deitado, mas para isso é preciso que não se cochile.
Tenho certeza de que esse estado quase letárgico é passageiro e os temas voltarão a pulular serelepes à minha volta. Enquanto isso não acontece, vou dar uma deitadinha e ver algum vídeo tape de algum jogo da segunda divisão ou o anúncio daquele aparelho que faz suco até de mandioca.

