Blog do Velho Lobo

Relatos de um velho lobo a respeito de tudo e a respeito do nada.

Antes mal acompanhada do que só

5 de setembro de 2007

Responda-me cara leitora, por que muitas mulheres preferem ter a seu lado trastes insensíveis e machistas, (que se diferenciam do homem de Neanderthal pelo fato de escovarem os dentes dia sim, dia não) a ficarem sós, porém com a auto-estima em dia?
Surpreendo-me ao ver mulheres resolvidas financeira e profissionalmente, com apartamento pago, carro novo, viagem ao exterior todo ano, submetendo-se a situações constrangedoras como aturar o rapaz com álcool a mais, falando um monte de asneiras, derramando suas frustrações a torto e a direito. Saber que ele pula a cerca com agilidade digna de um Jardel Gregório e proferir com orgulho resignado a frase do tempo de minha avó: "Mas é para minha cama que ele volta toda noite…".
O que acontece com essas mulheres, cara e teimosa leitora? Será que o medo da solidão é de tamanha grandeza que as faz fechar os olhos para o turbilhão de defeitos que seu Homer Simpson carrega? Será que é cobrança da sociedade? Será que é a soberba necessidade de mostrar a todos que é bem sucedida profissionalmente e ainda carrega a casa nas costas? Mulher Maravilha do século XXI? Será que vale a pena?
A quase obsessão por “se igualar” aos homens está impondo às mulheres obrigações injustas. Não estou aqui querendo dizer que mulher tem que se dedicar a casa, ao marido e aos filhos e sem reclamar. Muito pelo contrário, nos dias de hoje a administração da casa é tarefa de todos e é inconcebível que se aglutine à mulher moderna todos os encargos referentes à administração de uma carreira e a administração integral de sua casa.
Causa-me arrepios quando ouço alguém perguntando à mulher se o marido a “ajuda” em casa. O que é isso!?!? Dessa forma a obrigação é toda da mulher e o bondoso e atencioso marido “ajuda” levantando os pés para ela varrer. Vamos parar já com isso, todos, incluindo filhos maiores de oito anos, são responsáveis pelo bom andamento dos processos envolvidos na manutenção de um lar.
Por outro lado tem a mulher caramujo. Orgulha-se em cantar aos quatro ventos que leva a casa nas costas, que o marido nada mais é do que mais um filho e que nada anda sem sua intervenção. E é feliz assim! Boa sorte para ela!
Voltando ao companheiro tampão, ou seja, aquele que está lá por falta de coisa melhor. Para ele a situação é muito cômoda, geralmente tem a seu lado uma mulher prestativa, independente e solícita. Uma mulher que não cobra muito, por medo de perder o pouco que tem, ou seja, uma mulher que se contenta com pouco temendo ficar com nada.
Pense comigo, paciente leitora, será que dispensando o apêndice ela realmente perderá? Acho que não. Acredito que com a certa melhora da auto-estima, nossa Amélia dos tempos modernos se sentirá mais forte, mais segura e até mais bonita, pois via de regra, a mulher quando sai de um relacionamento, e principalmente essa que carregava o encosto, tende a se valorizar mais, pensar mais em si e consequentemente toma ações que a deixam mais interessante, acompanhando as tendências de mercado, e com isso, atrair pessoas interessantes também.
Mulher, se quiser apenas usar o corpinho do traste, tudo bem. Porém não vale a pena sustentar um porco inteiro por causa de uma lingüiça.

Desculpas

3 de setembro de 2007

Estava eu a dar minha corridinha semanal no Parque da Juventude (iniciativa louvável do poder público, que de jeito nenhum pode acabar. O arvorismo já foi desativado e o contador de estórias não mais estava lá. Prefeitura de Sampa, olho vivo! Não deixe o parque morrer!) quando passo por dois esquêitistas, ambos beirando os quinze, dezesseis anos e um fala para o outro: “É mano, se a gente tivesse encontrado as músicas da hora, aquelas que a gente fica irado quando ouve, a gente tinha se (sic) saído melhor!” No que o outro responde: ”é memo…”. Estavam procurando desculpa para uma provável pífia performance em alguma competição. Pois é, a culpa foi da música inadequada.
Se prestarmos atenção, iremos perceber que estamos quase sempre buscando desculpas para justificar nossa preguiça, nossa incapacidade ou a impossibilidade de ter ou fazer algo. Se não concluímos um projeto, a culpa foi dos outros envolvidos, do sistema operacional, do cliente que não pediu direito, do colega que não ajudou tanto o quanto deveria, afinal, a culpa foi de todo mundo, menos nossa! Se a balança insiste em mostrar que a massa corporal não reduziu, pelo contrário, vem aumentando gradativamente, muito provavelmente deve ser o frio, o calor, a vida corrida, o estresse, os filhos, os pais, o cachorro, e não o simples fato de não haver vergonha na cara para educar a alimentação e praticar exercícios físicos regularmente. Se as coisas parecem sempre dar errado, logo constatamos que universo está conspirando contra nós, quando o que está acontecendo realmente é a cômoda e irritante mania de se fazer de vítima e esperar sentado, gastando caixas de lenços de papel, que a situação melhore.
Um chinês (sempre eles) disse certa vez: “Se você tem um problema e pode resolvê-lo, para quê se preocupar com ele? Agora, se você tem um problema e não pode resolvê-lo, para quê se preocupar com ele?” O negócio é levantar a bunda gorda do sofá e encarar o que vier, tendo a consciência plena de que tudo podemos naquele que nos fortalece.

Não há desculpa pior do que a falta de garra, de vontade, de caráter.

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