Quem quer se apaixonar?
22 de junho de 2007

"Amo sua voz e sua cor…e o seu jeito de fazer amor…revirando os olhos e o tapete, suspirando em falsete…coisas que eu nem sei contar…". Com esses versos, os irmãos Kleiton e Kledir Ramil arrepiam nucas há décadas com sua "Paixão".
O que seria a paixão, caro (a) leitor (a)?
a) Uma reação química que nos toma de assalto, aturdindo e confundindo, deixando a boca seca, o coração descompassado e o corpo todo com uma dorzinha gostosa?
b) Uma ilusão que criamos, transformando em alvo alguém a quem damos a responsabilidade de ser a materialização da solução para todos os nossos anseios, desejos e carências?
E ai desse alvo se não atender a todas as nossas exigências! Que audácia!
c) Tudo isso junto.
Se você respondeu a alternativa a, acredito que seja a alternativa correta. Se respondeu b, sim, creio que esteja correto também. Agora, se você respondeu a letra c está mais do que correto.
Há um alternar de êxtase e dor, de dúvida e certeza, de amor e ódio. A razão vai para as cucuias e a impressão de que a vida terminará caso algo não esperado aconteça é constante. Tomamos o alvo da paixão de forma arrebatadora, nos apropriamos de seu corpo e sua alma, não lhe sendo possível pensar ou agir por vontade própria. Isso não faz bem, definitivamente.
“Ter” alguém é a vontade de estar junto e não possessão pura e simples. “Perder” alguém pode ser a libertação de um estado insustentável de dependência e não necessariamente o fim do amor.
A paixão é por essência saudável! É se entregar sem receio, é usufruir do prazer sem cobrança. Trabalha-se mais e melhor se há paixão. Um hobby só nos ajuda a relaxar se praticarmos com paixão. Apaixonar-se por alguém não significa ser um só, pois não requer nulidade de identidade, e sim completar-se.
Apaixonar-se é antes de tudo viver! E ninguém pode sofrer por viver.

