Blog do Velho Lobo

Relatos de um velho lobo a respeito de tudo e a respeito do nada.

Conta uma estória?

22 de abril de 2007

Assim minha filha, o pequeno ser de cinco anos que ajuda a dar sentido à minha vida, anuncia que está com sono. Deito ao seu lado e começo a falar sobre princesas, lobos, florestas, castelos e afins. É um dos momentos mais gostosos do dia, onde a gente realmente conversa, troca impressões, quando ela realmente presta atenção ao que falo, questiona, se interessa. A ela se junta meu filho, o homem da casa, que há dez anos tenta me ensinar o que é certo.

Passamos juntos o tempo que nos é dado pela vida que levamos, porém esses minutos que antecedem o repouso dos anjos são os mais prazerosos, pois a interação ocorre sem interrupções, sem distrações. Somos só nós.

Costumo dizer que os filhos ligam “chavinhas” dentro da gente, nos obrigando no bom sentido a rever conceitos e procedimentos. Hum, está parecendo papo de analista de sistemas? Ok, perdão, vinte anos de ofício certamente nos inputam alguns vícios. Pois bem, retomando: filhos nos são enviados pela força superior que rege a tudo e a todos, entre outras coisas, para corrigir nossos desvios, para que a gente perceba nossas falhas. Cabe a nós, agraciados pela ajuda, acertar o que está errado.

Eles ainda não têm noção disso, mas quando me junto a eles para contar-lhes estórias, mais ouço, mais aprendo, mais vivo.

Eu te amo

17 de abril de 2007

Será por qual motivo temos tanta dificuldade em proferir as três palavras? Acredito ser uma das razões o fato de que, para que a frase seja verdadeira, devemos nos despir de orgulho, pudores, insegurança, medos, e outras coisas que travam nossas emoções e escancarar o coração, sem receio, sem expectativas. Atitude essa que nos deixa completamente vulneráveis, podendo ser o tão corajoso coração despedaçado, sem dó nem piedade.

Que bom seria sentir apenas e tão somente. Divulgar sua principal notícia sem esperar força igual em sentido contrário e de mesma intensidade. Viver a liberdade de ser o que se é sem culpa e por outro lado não ter que provar sua afirmação todo dia, sob pena de ter sua verdade severamente questionada.

O incondicional é complicado, é tênue, é perigoso.

O interessante é que passamos a vida esperando a oportunidade de gritar a simples frase a ponto de explodir os pulmões, imaginando que esse será o passaporte para a vida que se quis, que a descoberta do “amor” será a solução para todas as mazelas, fazendo do mundo um paraíso rosa e azul. Ilusão, eu sei. Mas disso também se vive.

Há quem banalize a expressão, utilizando a torto e a direito, criando lugar comum, limando a credibilidade do que traduz a entrega total, a disposição em ser um. Respeitemos pois a frase magna, o mantra que alivia a alma esquenta o coração.

Se o(a) paciente leitor(a) tem dito “eu te amo” ultimamente, valorize bastante esses momentos, saboreie cada segundo, pois a volatilidade das relações contemporâneas pode nos fazer calar.

Filhos_mentiras_e_DVDS

11 de abril de 2007

Chega um momento na vida de um lobo no qual ele se depara com três verdades universais: filhos, mentiras e DVD’s.

Dos filhos…
Os filhos são dádivas do Senhor todo poderoso, capazes de fazer você sentir o amor incondicional mais incondicional possível e também a dor mais dolorosa possível. Além disso, inevitavelmente, o jovem senhor de meia idade terá que aceitar seus dias preenchidos por compromissos gerados pelos filhos. Sim, são dias e noites de lições de casa, mamadeiras, atenção redobrada, fast food, parques temáticos, buffets, feiras na escola, pediatras, pet shops, vômitos, camas mijadas, pedagogas, peloamordeDeus!
Das mentiras…
Antes de qualquer coisa, é vital que fique bem claro que as mentiras as quais me refiro são aquelas que não fazem mal a ninguém. São meias-verdades, na realidade.
Atire a primeira pedra quem nunca disse que estava esperando o trânsito melhorar para ir para casa, quando na verdade queria mesmo tomar mais uma no boteco em frente ao trabalho? Levante a mão quem não culpou um imprevisto inadiável para cabular aquela sessão de tortura na cadeira do dentista? Quem nunca disse a célebre “isso nunca aconteceu antes…deve ser o estresse…”. Diga “eu!” quem nunca atribuiu ao excesso de trabalho o fato de não aparecer na academia há mais de um mês? A lâmpada da cozinha? Ok, amanhã eu troco.
Sem meias-verdades, a gente vive pela metade.
Dos DVD’s…
E os DVD’s? Pois é…a gente perde os lançamentos no cinema por não ter com quem deixar as crianças ou por estar totalmente esgotado por causa delas que o pique de sair de casa desaparece. Ou então quando de repente ela leva todo mundo para a casa da mãe dela e você se vê sozinho, senhor de todos os controles remotos e de todos os aparelhos! Põe a melhor cueca, tira as latas de Skol que a empregada jogou na gaveta das verduras e soca no freezer, pega aqueles DVD’s do Led, Black Sabbath, Deep Purple, ACDC, os quais não te deixam ver/ouvir há tempos e grita roquenrou até ficar meio xalau com a meia dúzia de latas de breja. Depois desmaia no sofá até ser acordado carinhosamente com um tapa no saco de um dos petizes de volta da casa da vovozinha.

Falando nisso, estão todos dormindo…acho que dá pra assistir àquele do Eagles com o volume bem baixinho…

O que eu preciso é de um SUV!

9 de abril de 2007

Tudo bem que não sei de muita coisa e o pouco que sei venho esquecendo gradativamente, mas o termo auto-ajuda só pode ser verdadeiramente utilizado para uma pessoa, ou seja, só ajuda a quem escreve o livro, a quem ministra a palestra.

Se cada caso é um caso, como pode alguém ter as mesmas respostas para milhões de pessoas? Pode haver casos parecidos, carências similares, sintomas inerentes a situações comuns, e mesmo assim não há como tratar todas as situações com as mesmas “receitas de bolo”.

Receio que a mesma fórmula seja utilizada por algumas das mais famosas denominações religiosas, explorando aquilo que o ser humano masculino na faixa dos “enta” mais deseja e anseia. O que pode espantar é a dedução que tudo de resume a uma só coisa: ter um carro novo! Sim, um carro novo é o que todo tiozão quer, e não é um carro comum não, tem que ter direção hidráulica, ar condicionado e porte para encher o vizinho de inveja a ponto de o mesmo deixar a porta de seu escort bater “sem querer” em seu bólido repetidas vezes no estacionamento do prédio.

E para que se precisa ler livros e livros que repetem o óbvio para que se consiga o tão desejado carrão japonês, coreano, alemão ou similar? Oras bolas, será que somos tão idiotas a ponto de não sabermos o que deve ser feito para se ter sucesso, seja lá qual for a situação? Para que precisamos dos clichês de quem muito provavelmente não está nem aí para o que seu público pense ou deixe de pensar?

Ok, se vc ainda está lendo, pode estar pensando: “e meus problemas sentimentais? E meu ciúme desse cachorro (o quadrúpede) que tem toda a atenção de minha namorada? E o desprezo que minha mãe tem por mim desde a infância? Não, nem tudo se resume a ter um carro novo e sim, preciso de ajuda para resolver essas questões de foro íntimo!”

E eu te respondo: deixa de ser mané e admita que tudo o que vc quer é um carro novo para se sentir poderoso, potente, másculo. Vc será o cara e passará (literalmente, se for o caso) por cima de tudo e de todos que se postarem à sua frente!

E não precisamos de nenhum livrinho para isso. Já vivemos tanta coisa que temos as perguntas e as respostas dentro de nós.

A boa e velha Idade do Lobo

Muito se fala dessa fase inevitável a qual nós homens, seres primitivos e instintivos, temos que passar. Só no Google há aproximadamente 748.000 citações.

Pois bem, o que acontece é que sistematicamente falando, o homem nasce, cresce, fica broxa e morre. Não há alternativa, não há escapatória. E quanto mais pensamos nisso, quanto mais nos preocupamos com a situação, mais cedo as fichas e outras coisas começam a cair.

Com a taxa de longevidade beirando os setenta anos, é até lógico que a preocupação com o que virá apareça por volta da segunda metade do que chamamos de vida. Lutamos a maior parte desse período para atingir metas como estabilidade financeira e sentimental, conforto, satisfação e paz de espírito. Quais sacrifícios estaríamos dispostos a assumir para atingir essas metas?

Com a proximidade do fim, a tendência é que se queira viver mais e melhor, recuperar o tempo perdido, sentir o prazer desconhecido, a jovialidade um dia sentida.

É um barato chegar aos quarenta anos. Se soubesse que seria tão bom, teria feito antes. As coisas se esclarecem com uma facilidade assustadora. Não existem mais mistérios, a verdade, dolorida às vezes, é cada vez mais presente. Caem mitos, ilusões, falsas sensações. A vida é o que é, por mais que a gente não concorde, por mais que a gente não aceite, sim, a vida é o que é! Portanto, deixe de ser cabeça dura, pare de dar murro em ponta de faca e viva a vida que lhe foi dada para viver!

 

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